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Zona Velha do Funchal: guia para um passeio a pé

A Rua de Santa Maria e as portas pintadas, a Capela do Corpo Santo, a Fortaleza de São Tiago e o teleférico — o que é cada um e como ligá-los a pé.

28 outubro 2026 · 6 min de leitura

Zona Velha do Funchal: guia para um passeio a pé

A Zona Velha do Funchal é o bairro compacto a leste do centro onde, segundo o município, se fixou o primeiro povoamento da cidade. O seu eixo é a Rua de Santa Maria, uma rua empedrada de 600 m conhecida pelo projeto de portas pintadas "artE de portas abErtas", com uma capela de pescadores do século XV num extremo do bairro e uma fortaleza do século XVII no outro. Tudo o que este guia descreve faz-se a pé numa manhã ou num fim de tarde, começando ou acabando no Mercado dos Lavradores ou no teleférico para o Monte.

Factos essenciais

  • Onde: freguesia de Santa Maria Maior, a leste do centro do Funchal — a primeira freguesia criada na ilha.
  • Rua de Santa Maria: cerca de 600 m, da ribeira de João Gomes, na Rua Brigadeiro Oudinot, até ao Largo e Igreja do Socorro.
  • Portas pintadas: projeto "artE de portas abErtas" (Projeto Arte Portas Abertas), desde 2011, com cerca de 200 portas pintadas.
  • Capela do Corpo Santo: erguida pelos pescadores do Funchal no final do século XV.
  • Fortaleza de São Tiago: iniciada por volta de 1614 para defender a cidade dos piratas.
  • À noite: restaurantes, esplanadas, bares de poncha e casas de fado ao longo da Rua de Santa Maria.

O que é a Zona Velha?

A Câmara Municipal do Funchal descreve a Zona Velha como o local onde, diz a história, se estabeleceu o primeiro povoamento da cidade. Caracteriza-se pelas ruas estreitas e empedradas e pelas fachadas das casas antigas, e é considerada uma zona histórica de grande valor arquitetónico e patrimonial. Fica na freguesia de Santa Maria Maior, a primeira a ser criada na ilha.

Hoje o bairro mistura moradores antigos e comércio. O município refere que há famílias a viver na Rua de Santa Maria há gerações, e que quase toda a rua tem também restaurantes e esplanadas. À noite a Zona Velha ganha outra vida e torna-se uma das principais zonas de restauração e animação do Funchal.

O que tem de especial a Rua de Santa Maria?

A Rua de Santa Maria é uma das ruas primitivas do Funchal. Segundo o município, estende-se por cerca de 600 metros de calçada, da ribeira de João Gomes, na Rua Brigadeiro Oudinot, até ao Largo e Igreja do Socorro, e percorre-se em poucos minutos — embora a maioria dos visitantes demore muito mais por causa das portas.

Logo após o início do povoamento construiu-se aqui uma pequena igreja, Santa Maria do Calhau, em torno da qual havia um ponto de encontro; a rua corria paralela à praia, em terreno plano, o que facilitou a sua abertura. Alguns pormenores pedem um passo mais lento:

  • o edifício das antigas escolas primárias masculina e feminina, que separava rapazes e raparigas até nos recreios, hoje ocupado por um hostel e pela esplanada de um restaurante;
  • uma das estações da Via Sacra ao longo da rua;
  • os becos estreitos que a atravessam e por onde ainda passam carros — atenção ao trânsito;
  • a 1 de maio, dia de São Tiago Menor, padroeiro do Funchal, a procissão percorre a rua.

No extremo nascente, a rua chega à Igreja do Socorro, e o município refere um pequeno miradouro no topo com vista panorâmica sobre a cidade.

O que é o projeto das portas pintadas?

O projeto chama-se "artE de portas abErtas" (o município designa-o Projeto Arte Portas Abertas). Desde 2011, artistas em articulação com a Câmara têm pintado as portas de casas, lojas abandonadas e espaços degradados da Zona Velha, sobretudo na Rua de Santa Maria. O objetivo, nas palavras do município, é abrir a cidade a eventos artísticos e culturais e transformar a parte mais antiga da cidade numa galeria permanente.

O município contabiliza cerca de 200 portas pintadas na Rua de Santa Maria, com a participação de nomes conhecidos do panorama artístico madeirense, como o arquiteto Paulo David e a designer Nini Andrade Silva. Há desde pinturas planas a peças em três dimensões.

Muitas portas pertencem a restaurantes e bares, por isso à noite ficam muitas vezes escondidas por portadas abertas ou mobiliário de esplanada. Para fotografar as portas, um passeio de manhã, antes da abertura do comércio, costuma resultar melhor.

O que é a Capela do Corpo Santo?

Segundo o município, a Capela do Corpo Santo é um dos poucos edifícios do século XV que chegaram aos nossos dias no Funchal. O Visit Madeira descreve-a como um dos templos mais antigos da ilha, erguido pelos pescadores do Funchal no final do século XV e dedicado a São Pedro Gonçalves Telmo, padroeiro dos pescadores e dos marinheiros. Durante muitos anos funcionou também como associação de socorros mútuos, apoiando pescadores e famílias em caso de acidente no mar ou doença.

Várias campanhas de restauro moldaram o edifício. O portal simples, de arquivolta quebrada, é do século XV, e o interior resulta de reformas dos séculos XVI e XVII. O destaque é uma tábua pintada com São Pedro Gonçalves Telmo a abençoar uma caravela manuelina, que o Visit Madeira aponta como uma das mais antigas representações de um navio na Madeira.

O que é a Fortaleza de São Tiago?

A Fortaleza de São Tiago ergue-se junto ao mar no limite nascente da Zona Velha. Segundo o município, as obras começaram por volta de 1614 para proteger o Funchal dos ataques de piratas. Foram iniciadas pelo mestre das obras reais Jerónimo Jorge e concluídas pelo filho, Bartolomeu João, com intervenção do engenheiro Tossi Colombina, autor do projeto do porto do Funchal. A primeira fase terminou no século XVII e a segunda decorreu por volta do século XVIII.

Ao longo dos séculos, a fortaleza aquartelou tropas britânicas, a Polícia do Exército e o Esquadrão de Lanceiros do Funchal, e serviu de abrigo às vítimas da aluvião de 1803. A morada é Rua do Portão de São Tiago e o município indica como contacto o serviço regional de cultura (telefone 291 213 340); confirme aí os horários antes de planear uma visita ao interior.

Como percorrer a Zona Velha a pé?

Um percurso lógico num só sentido, do mercado ao teleférico:

  1. Mercado dos Lavradores, na Rua Brigadeiro Oudinot. Horário oficial: segunda a sexta 07:00–19:00 e sábado 07:00–14:00; encerra aos domingos e feriados.
  2. Atravessar a ribeira de João Gomes e entrar na Rua de Santa Maria pelo extremo poente.
  3. Percorrer a Rua de Santa Maria (cerca de 600 m) a ver as portas, até ao Largo e Igreja do Socorro.
  4. Fortaleza de São Tiago, junto ao mar, a poucos passos da igreja, para nascente.
  5. Regressar para poente pelo lado do mar da Zona Velha até à Capela do Corpo Santo.
  6. Estação inferior do teleférico do Funchal, na Rua Dom Carlos I, no limite da Zona Velha, para subir ao Monte.

Se quiser apanhar o teleférico, faça o passeio de manhã: funciona das 08:45 às 17:45. Se procura sobretudo o ambiente e os restaurantes, inverta o percurso e caminhe ao fim da tarde, acabando na Rua de Santa Maria quando esta começa a encher.

Onde se janta na Zona Velha?

A Rua de Santa Maria e os becos à volta são a zona de restauração da Zona Velha. O município descreve a rua como tendo restaurantes e esplanadas em quase toda a extensão, com ementas da cozinha tradicional à internacional, inúmeros bares de poncha e bebidas de frutos regionais abertos até tarde, e algumas casas de fado. Este guia não recomenda restaurantes em particular. Para os pratos e bebidas a procurar, veja o que comer na Madeira e, para o resto da cidade, o guia da região do Funchal.